terça-feira, 30 de março de 2010

Desafios da Missão Contemporânea - reflexões de aula

Os desafios da missão contemporânea passam, antes de tudo, por uma necessidade de definição de si mesma, para só então cumprir seu papel e alcançar as necessidades do mundo atual.

Somos diariamente bombardeados pelos veículos de comunicação (especialmente aqueles tediosos pps) por imagens mensagens e convites à gratidão, atenção com quem está perto, superação, esperança, otimismo, perspectiva, ativismo, falta de tempo e avaliação pessoal de como gastei meus dias, esforços, mente, corpo, vontade, tempo etc..

Em uma sociedade pautada pela produtividade e competitividade, falar de qualquer coisa que não seja excelência numérica e (ironicamente) individualidade, soa, no mínimo, como idealismo ingênuo, para não dizer manipulação alienante.

Mas ao mesmo tempo em que não tem se vivido a coletividade ou integralidade do relacionamento social, cultural e espiritual, deixados como ordem desde o princípio, nem na igreja nem fora dela, observa-se no mundo em geral um retorno para tal, um grito por estas questões.

Acredito que estamos em um momento muito interessante, onde o próprio mundo tem clamado específicamente pelo cumprimento da missio Dei. Estamos vivendo um período de grande despertamento espiritual, social e cultural. As pessoas tem buscado desesperadamente desenvolver estes aspectos, embora buscando em lugares equivocados, e a igreja tem se mantido silente.

Este é o século da ecologia, do desenvolvimento sustentável, da tecnologia, do ‘boom’ de religiões (especialmente as orientais), da terapia e dos livros de relacionamentos e auto-ajuda, das ONG’s e da ajuda humanitária. O mundo parece estar “cumprindo” da forma que pode a missio Dei, mesmo sem nem saber o que é isso.

O triste, é a igreja não reconhecer tudo isso como parte dela, mas afirmar que está separada disso por não serem celestes, por serem apenas "do mundo"... afff... onde vivemos afinal? na lua???
:-S

sábado, 12 de setembro de 2009

Coisas que aprendi no Peru 3

Vamos lá...

Outra coisa que aprendi logo na chegada, é que no Peru, greve geral é um movimento de classe, e não de categorias.. aqui nós fazemos movimentos isolados de categorias menores.. “greve geral” dos metalúrgicos, “greve geral” dos caminhoneiros, “greve geral” dos professores, “greve geral” dos profissionais de saúde.. etc.


Lá a greve geral é dos trabalhadores. “El paro” (a greve) é um movimento de toda classe trabalhadora, e não das categorias separadas. Então se há greve geral, é geral de verdade! Se você é trabalhador você deve parar. Não importa se você é empregado, empregador ou autônomo.


Se você não parar haverá retaliações, muitas vezes bárbaras, como apedrejamento dos ônibus na estrada (como o que sofremos na viagem de Lima para Ayacucho), ou destruição do seu estabelecimento comercial (tínhamos que entrar escondidos nas lojas e muitas vezes ficamos trancados dentro delas esperando o movimento passar para sair) e por aí vai... Todos devem parar.


Inicialmente, pode parecer curioso imaginar, por exemplo, o dono de uma papelaria pequena fechando suas portas e saindo às ruas para protestar e reivindicar. Só não imagino contra qual patrão ele estaria gritando: “exigo de mim mesmo ajuste salarial imediato ou não volto a trabalhar!!”.. hehehe... :P

Mas se pararmos para pensar um pouquinho, o exótico se torna quase óbvio (olha ele aí de novo mudando de cara.. hehehe). Se pensarmos a indústria, o mercado e a força trabalhadora como a rede totalmente entrelaçada que realmente é, não se torna tão absurdo assumir que o movimento trabalhista venha direta ou indiretamente beneficiar a todos em diferentes níveis.


Melhores salários implicam em maior consumo, que implica em menor carga para o estado, que implica em maior entrada aos empregadores e autônomos, e por aí vai o ciclo sem fim.
Esse sentimento de grupo, de classe, de nação, de todo... sim... isso me impressionou muito!!! Não vemos muito disso por aqui... Para nós o óbvio é que o interesse individual está acima do grupo, mas pelo que vi lá, o bem do grupo está acima do indivíduo.

Ali a idéia de “Corpo” me pareceu mais real e factível, do que aqui, onde o mais próximo de corpo que chegamos parece ser a de peças parafusadas formando um ser impessoal que pode ser desconectado e substituído. Em nada se compara ao “Corpo” contínuo e inseparável, que só perde um membro em última necessidade, num procedimento invasivo, e a duras penas!

Viu? O óbvio tem tantas caras... tantas formas... adoooro descobrir o óbvio por trás das estranhezas, exotismos, pseudo-barbáries, enfim, culturas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Coisas que aprendi no Peru 2


Outra coisa que aprendi no Peru é que o ‘pertinho’ de peruano é muuuuuuuuuuuito pior eu de mineiro!!! E horário para eles é algo totalmente irrelevante, desnecessário e na verdade inexistente. Afinal o que é o tempo senão uma mera convenção?
Para nós brasileiros, praticamente litorâneos, qualquer distância percorrida, mesmo que na horizontal, a 3000m de altitude é infinitamente longe, pesado, rarefeito e já falei longe?.. hehehe..
Pois é... chegamos em Ayacucho, a 3000m de altitude, e a cidade estava em greve (aliás outro grande aprendizado que vou contar depois). Bom, não havia transporte da parada do ônibus para a casa onde ficaríamos...



Aliás, lugar lindo! O mais alto da cidade, com uma vista privilegiada de todo o vale... porém chegar lá a pé! afff... Enquanto andávamos a passos de lesma (não adianta tentar andar rápido, é como se suas pernas grudassem no chão! Como se tivesse imãs te puxando pra baixo, e a cada passo temos que descolar o pé do chão), mas sim, enquanto andávamos cambaleantes, sem nenhuma mala no ombro e com alguns de nós desmaiando, os peruanos da igreja que vieram nos receber, seguiam serelepes, sorridentes, ágeis e carregando toda a bagagem!!!
Me senti a própria “smurfete” (uns 50 kg mais gorda, mais velha e morena.. hehehe), perguntando a cada dois passos: falta muito? Ao que eles respondiam: é logo ali...
Argh!!!!!!!!! Nunca acreditem no “logo ali” de um peruano!!! Hehehe... :)





Outra coisa, esqueça esse negócio de horário... totalmente irrelevante. Se você marcar às 8 h eles vão chegar às 10 h, se marcar às 10h vão chegar às 12h. Então desista. Simplesmente se encontrem e aproveitem o momento.






O bom disso é que eles nunca têm pressa de se livrar de você, não ficam olhando no relógio enquanto você fala, e sempre esperam que o grupo aumente com a chegada de mais um. As pessoas são importantes e estar com elas é o que vale!




Gostei muito disso!! :)